sábado, 15 de setembro de 2012

Diálogos V




Em meio a tanta indiferença, em meio aos acordes distantes de uma canção, que talvez soasse somente em sua cabeça  - uma  melodia totalmente desconhecida e presente, ela seguia só. Seguia o seu caminho e sabia que havia dentro de si uma chama. Dentro de seu coração, uma frágil e sutil luz lhe dizendo "você é especial". E ela quis acreditar com todas as forças, e desejou proteger esse sentimento. Não deixaria aquela luz se apagar jamais. Nada importava, pois agora essa era a sua vida. Proteger. A luz. A sua esperança.


D.Z

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Diálogos IV




Estava frio, mas ele não percebera. A chuva lá fora era o cenário perfeito para uma noite tranquila de sono, mas a sua insônia o perseguia. Insônia e pesadelos. Naquele exato momento, debatia-se em sua cama.

O quarto era um cubículo escuro, onde havia espalhado seus livros e seus medos – estes sim transbordavam através da pequena janela à sua frente, alta demais para que pudesse ver a rua do lado de fora. Era uma fresta por onde somente os seus fantasmas conseguiam entrar.



D.Z

domingo, 9 de setembro de 2012

Diálogos III




Quando, de súbito, olho nos olhos de quem passa, a primeira coisa que vejo é Medo. Depois, a fantasia, já desgastada de quem se é, reaparece. Sabe-se inútil, mas não se pode deixar de acreditar. Única fé que nos resta. O momento de reflexão já acabou. Chegando em casa, tenho mais alguém a quem enganar. E alguém que mora no meu espelho. 


D.Z

sábado, 25 de agosto de 2012

Diálogos II




Como transformar palavras em melodia se meu silêncio, oco, só quer dizer inutilidades e minhas palavras são vazias de som? Se eu gritar, se ao menos eu falar, você irá me escutar? E o que fará com as palavras, com a melodia, com o vazio de minha solidão?



D.Z

domingo, 5 de agosto de 2012

Apenas um parágrafo sobre encontrar o amor

Tudo o que desejava era estar ao lado daquele que amava. O tempo parecia simplesmente não existir. As pessoas que encontravam quando caminhavam pelas ruas não passavam de figurantes. O filme de sua vida, agora sem roteiro, tornava-se melhor a cada cena. Se houvesse alguma maneira de voltar atrás, esta seria completamente ignorada, pois o que queria era apenas continuar.


D.Z

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Ainda não aconteceu






Meus dedos tocam neste pó
Sem medo
Sem coração.
Eu bebo as palavras
Sem cessar.
Eu bebo
Direto da fonte.
Livros velhos que dizem
O que ainda não aconteceu
(a não ser na mente
de quem escreveu).


D.Z

Se eu






O frio da noite
Me faz tremer...
Mas nem a escuridão
Vai me fazer calar.
Se eu parar de andar
Nunca chegarei ao meu destino.


D.Z

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Vagas lembranças




Se fogem as palavras
Ainda leem-se os mapas
Acredita-se em destino
Porém, a rotina que não cessa
É apenas feita de sonhos
- Quando serão reais? -
Mas de repente tudo ganha cor,
Uma maneira de atrair a Vida.
E com os nossos risos sinceros,
Corações partidos
Ficam para trás.
Posso lhe falar
Que minhas tristes memórias
Já não passam de vagas lembranças.


D.Z

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Nada sei




Eu não sei do que digo.
Uns olhos me cegam e as palavras chegam.
Uma presença, uma ausência
E uma promessa desfeita.
Roubo as palavras, apenas.
Porque um dia poderei precisar.
Quem sabe, no meio do caminho
Uma noite de insônia,
Um destino,
Possam me encontrar.
- Estarei armada
Com as palavras que guardei -
Por me deixarem impune dos meus crimes,
Eu continuo.
Nem sempre em frente,
Nem sempre caminhando.
E quando paro,
Nem sei o que faço.


D.Z

domingo, 22 de janeiro de 2012

Diálogos I



Não são os olhos de um poeta,
Mas olhos que procuram pela poesia.
Olhos que querem sorrir.
Olhos que sempre precisam chorar.
Para ver no escuro
Não é necessário haver luz!
Apenas um pouco de vontade e consigo me mover.


D.Z

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Vida que passa



Enquanto a vida passa
Eu vejo tudo
Da minha maneira sem graça
Do ponto de vista dos desavisados
Do ponto de vista dos desconhecidos

A vida já se foi
Eu me pergunto se posso ter ficado...
E da minha maneira, disfarço.


D.Z